Como parte da programação da 7ª edição da Flipei, a Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, uma das apoiadoras do evento, realizou o lançamento do livro “A ascensão da extrema direita e o freio de emergência”, escrito por Roberto Robaina, dirigente do PSOL, vereador em Porto Alegre e ex-presidente da FLCMF. A atividade aconteceu no sábado, dia 9 de agosto, no Café Colombiano, em São Paulo, e contou com a participação de Luana Alves, vereadora do PSOL na cidade, e Henrique Carneiro, professor de História da USP.
A juventude e setores da militância do PSOL estiveram presentes no evento, bem como a deputada estadual Mônica Seixas e a vereadora de Campinas Mariana Conti. Em sua fala de abertura, Robaina explicou que o livro se divide em três partes: a primeira, versando sobre o momento atual de ascensão da extrema direita no mundo; a segunda, falando sobre aspectos culturais e psicológicos que auxiliaram a consolidação do fascismo no passado; e a terceira, analisando politicamente esse fenômeno e dialogando com elaborações de autores como Ernest Mandel.
“Já existe uma vasta elaboração do marxismo, que acumulou muito sobre o tema da extrema direita e do fascismo. Nós precisamos beber dessa acumulação”, explicou o autor. Para ele, “o livro tem um certo sentido de ajudar a fortalecer a ideia de se ter um polo anticapitalista, sem perder a necessidade da unidade”.
O professor Henrique Carneiro lembrou a definição feita por Leon Trotsky sobre o fascismo: “É a guerra civil contra o proletariado”, quando a democracia liberal se torna um empecilho para a execução dos planos de austeridade. Ele traçou um panorama da extrema direita no mundo, estabelecendo um paralelo entre Trump, nos Estados Unidos, e Putin, na Rússia.
“Qual é a identidade deste neofascismo? Tem uma corrente homogênea internacional, que vai de Trump a Putin. O Putin é uma das matrizes centrais do neofascismo contemporâneo, no aspecto do extermínio de adversários, esmagamento da sociedade civil, com uma ideologia de supremacismo racial e fundamentalismo religioso”, considerou.
Já Luana Alves pontuou a necessidade de se ir além do que é defendido pela esquerda tradicional para “fortalecer um polo anticapitalista e socialista”. Para a vereadora, o autoritarismo expressado pela extrema direita “não é um acidente de percurso no Brasil”, um país fundado sob o signo do supremacismo branco.
Luana entende que é preciso uma esquerda radical para construir uma alternativa à extrema direita. “Uma parte da esquerda brasileira aposta numa construção de organização capitalista brasileira que vá reduzir a desigualdade. E aí, quando temos a reorganização da extrema direita global, que aparece como uma alternativa com ares antissistêmicos, a tempestade está pronta”, refletiu.