1. A história — O PSOL nasceu da luta
Nasceu quando muitos diziam que era hora de recuar, de ceder, de adaptar-se aos limites da política tradicional. Nasceu quando uma geração de militantes, intelectuais, trabalhadoras e trabalhadores decidiu que não era possível aceitar o fim dos sonhos em nome da governabilidade. O PSOL surgiu das lutas contra a reforma da Previdência, mas, mais do que isso, nasceu da recusa a baixar a bandeira do socialismo. Foi o gesto de afirmar que a política requer coragem.
“Um partido novo, contra a velha política” — esse foi o primeiro chamado que ecoou em nossas fileiras e que continua ressoando vinte anos depois. Desde o início, o PSOL compreendeu que a luta pelo socialismo e pela liberdade está viva e que a política só faz sentido quando é movida por princípios, por sonhos e pela defesa intransigente dos direitos humanos, da democracia, da justiça e dos direitos da classe trabalhadora.
Nos primeiros anos, o PSOL foi o espaço de reencontro entre ética e sonho. Enquanto o sistema político se fechava em si mesmo, o partido ousou construir outro caminho — independente, popular e radicalmente democrático. Nas ruas e no parlamento, tornou-se o partido da coerência, o partido que não se curvava, o partido que, mesmo pequeno, nunca se calou diante dos poderosos.
Em sua primeira década, o PSOL consolidou-se como o instrumento necessário da esquerda brasileira: esteve na linha de frente da defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, no combate às reformas regressivas e na defesa da ética na política. Foi decisivo na luta pelo fim do voto secreto nas cassações parlamentares e teve papel central na cassação de Eduardo Cunha, símbolo do autoritarismo e do cinismo político. Cada uma dessas batalhas reforçou o sentido de nossa existência: ser o partido que escolhe o lado certo da História.
O PSOL nasceu como um grito — o grito de quem não aceita a normalização da injustiça, o grito de quem acredita que a política pode ser ferramenta de transformação e não de acomodação. E é esse grito que, duas décadas depois, segue ecoando em cada militante, em cada bairro, em cada ocupação, em cada luta. O PSOL é, e seguirá sendo, o partido da coragem.
2. Resistência em tempos de retrocessos
Nos anos seguintes à sua fundação, o PSOL mostrou que coerência e coragem podem caminhar juntas. Quando o Brasil atravessou um dos períodos mais sombrios de sua História recente, o partido manteve-se firme — com os pés nas ruas e a cabeça erguida. Diante do golpe parlamentar de 2016, denunciou sem vacilar o caráter antidemocrático do golpe contra a presidenta Dilma e o projeto de desmonte social que se seguiu com o governo ilegítimo de Michel Temer.
O PSOL também lutou contra a prisão injusta do ex-presidente Lula e transformou o luto em luta quando Marielle Franco e Anderson Gomes foram arrancados de nós. E quando o autoritarismo ganhou fôlego, o PSOL foi a voz que se levantou em defesa dos direitos sociais e da democracia. Em uma decisão inédita, apoiou a candidatura de Lula já no primeiro turno em 2022, porque o partido compreendeu a gravidade do momento diante da ameaça de reeleger Jair Bolsonaro.
Durante os anos de retrocesso e avanço da extrema-direita, o partido se tornou trincheira de resistência. Lutou contra as reformas regressivas, contra o desmonte da educação e da saúde pública, contra a violência institucional e o discurso do ódio. O PSOL foi às ruas por “vacina no braço, comida no prato” diante da maior crise sanitária deste século. Foi o partido que ergueu a voz quando a barbárie se tornou projeto político. O PSOL é o partido de Marielle Franco, símbolo de um Brasil que ousa existir com dignidade e coragem.
O PSOL se abriu aos movimentos sociais, fortalecendo alianças com a APIB, o MTST, e tornou-se o espaço onde as lutas se encontram, onde a diversidade e a esperança se renovam. É o partido do feminismo, da luta antirracista, ambiental, LGBTQIA+, indígena e anticapacitista. É o partido das trabalhadoras e dos trabalhadores, que reúne as pautas históricas da esquerda com os novos ativismos.
No cenário internacional, o PSOL manteve viva a chama do internacionalismo, denunciando o colonialismo e o expansionismo de Israel e mantendo solidariedade incondicional com o povo palestino. Porque o socialismo que o PSOL defende é um projeto de libertação e justiça global, que reconhece a humanidade em todos os povos e a dignidade como valor universal.
3. Vinte anos de transformações
Ao completar duas décadas, o PSOL não é apenas um partido consolidado: é uma experiência política viva. Sua militância fez do partido um organismo pulsante, resistente e criador, capaz de sobreviver a tempos adversos sem perder o rumo. Foi essa militância que, nas escolas, periferias, sindicatos, movimentos de moradia, no campo, na cidade e nas redes, manteve o PSOL fiel à sua razão de existir — ser útil à transformação social e à construção de um outro Brasil.
Nesses vinte anos, o mundo mudou profundamente e o PSOL mudou com ele. A crise do neoliberalismo alterou a forma como as pessoas trabalham, se relacionam e percebem o mundo. A financeirização da economia transformou a vida em mercadoria, precarizou o trabalho e empurrou milhões para a insegurança. Nesse terreno floresceu a extrema-direita, oferecendo respostas autoritárias à desesperança.
Esse cenário coloca uma pergunta urgente: qual projeto político pode responder a essa crise múltipla — social, econômica e ambiental? É nesse terreno que o PSOL encontra seu papel histórico.
A crise ambiental é uma das faces mais visíveis dessa crise civilizatória. Ela não é mais previsão distante — é o presente. Enchentes, secas, queimadas, desmatamentos e deslocamentos forçados expõem o colapso de um modelo que prometia progresso infinito. O capitalismo chegou ao seu limite e responde com negacionismo, autoritarismo e destruição.
A catástrofe ambiental nos obriga a repensar como produzimos, vivemos e nos relacionamos com o território. O desafio do nosso tempo é transformar o medo em coragem, e o PSOL deve ser o instrumento político de um projeto anticapitalista que una justiça ambiental e justiça social, economia e vida.
A luta contra a extrema-direita é um desafio civilizatório. Derrotar seu projeto exige solidariedade internacional, frentes amplas, flexibilidade tática nas eleições e mobilização social para arrancar vitórias imediatas e acumular forças para mudanças estruturais.
Apostamos que, diante da ameaça da extrema-direita, a luta política exige mais que resistência: exige esperançar. Apostar na mobilização popular e no poder das ruas, como no caso do PL 1904 em 2024 e da PEC da Blindagem em 2025. É assim que vamos nos reconectar com as maiorias sociais e disputar um projeto que reconheça a diversidade da classe trabalhadora.

4. PSOL +20
Diante de duas décadas de luta, o PSOL sabe e compreende o tamanho da responsabilidade histórica que carregamos. Vivemos um momento de crise civilizatória, marcado por desigualdade crescente, destruição ambiental, avanço do autoritarismo e crise da democracia. Nesse cenário, a esquerda brasileira precisa de um projeto sólido, capaz de responder às urgências sociais e ambientais, reconstruir a esperança e disputar hegemonia política.
O PSOL, com sua história de coerência e resistência, deve assumir seu papel como força política transformadora. Deve ser um espaço em que lutadores sociais, ativistas e organizações possam se encontrar. Um espaço que se coloque como alternativa viável para esquerda, onde as lutas se encontram e se articulam, se renovam.
O PSOL se abriu aos movimentos sociais, fortalecendo aliança com a APIB e o MTST, e tornou-se lugar onde as lutas se encontram, onde diversidade e esperança se renovam
É necessário responder aos desafios do século XXI: justiça social, transição ecológica, democracia e diversidade. É preciso apostar na mobilização popular, no diálogo com movimentos sociais, na institucionalidade, na atuação política por dentro e por fora do Estado.
Enquanto a extrema-direita aposta no autoritarismo, no ódio e na intolerância, o PSOL deve responder com um projeto capaz de esperançar, de reconquistar corações e mentes, disputar o presente com mais democracia, mais direitos, mais dignidade e mais justiça. O PSOL continuará necessário se se mantiver existindo como um instrumento vivo, ativo e orgânico da Revolução Brasileira, que será obra de milhões, terá a cara e as cores do nosso povo e a grandeza da América Latina!