Boletim Mais Lutas Agrárias #97 – 23 de abril
Chegamos a mais uma edição do Boletim Mais Lutas Agrárias. Nessa edição, destacamos os 30 anos do Massacre de El Dorado dos Carajás, um dos maiores crimes contra os direitos humanos e contra a luta pela terra da nossa história. Além disso, damos ênfase nas batalhas travadas pelos povos originários contra as mineradoras, em especial no Norte, como a luta dos povos do Xingu contra a Belo Sun. Essas e outras notícias você pode conferir no nosso Boletim!
Repercutimos também ataques dos ruralistas contra a luta dos sem-terra. Essas e outras notícias você pode conferir no nosso Boletim!
O Boletim Mais Lutas Agrárias é uma parceria da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco com o PSOL Maranhão, presidido pelo companheiro Reynaldo Costa, militante do MST.
Confira abaixo o boletim na íntegra:
Meio ambiente
Indígenas relatam novas suspeitas de contaminação de rio por mineradora no AM
Fiscalização da Funai afirma que manchas de poluição teriam partido da área de atuação da Mineração Taboca, maior produtora de estanho do Brasil; investigada desde 2021 por possível contaminação na Terra Indígena Waimiri Atroari, empresa diz não haver provas conclusivas
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- Lama e odores tomam conta do Rio. Em alguns lugares do Brasil parece que a autorização para exploração mineral tem o seguinte lema “façam o que quiserem”. As mineradoras destroem tudo que encontram pela frente.
ATINGIDOS PRESSIONAM GOVERNO EM BRASÍLIA E AVANÇAM NO DEBATE SOBRE REGULAMENTAÇÃO DA PNAB
Mobilização no MME, reunião com Guilherme Boulos e audiência na Câmara marcam jornada de pressão do MAB pela efetivação da política nacional
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- Apesar da sinalização favorável do Governo ao Plano, os obstáculos dentro do próprio Ministério de Minas e Energia, vem impedindo o avanço dos debates.
Governo do Pará libera mina de Belo Sun na Volta Grande do Xingu mesmo sem estudos atualizados
A decisão, tomada após ampla mobilização indígena contra a mineradora canadense, contraria posição do próprio estado e do ex-governador Helder Barbalho (MDB), que afirmava serem necessárias revisões do projeto feito dez anos atrás
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- Helder Barbalho é um entusiasmado defensor do projeto, que se anuncia como a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil numa das regiões mais biodiversas da Floresta Amazônica.
Governo usa dispositivo vetado por Lula na Lei da Devastação para acelerar obra da BR-319
Rodovia vira moeda de troca de políticos do Norte nas eleições, e seu asfaltamento será beneficiado pela flexibilização do licenciamento ambiental
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- Cientistas de diversas universidades do mundo publicaram uma carta na revista Science alertando que o asfaltamento da BR-319 pode acarretar a disseminação de novas pandemias em nível global.
Questão agrária e direitos humanos
Nos 30 anos após Eldorado do Carajás, MST faz Jornada histórica pelas ruas do país em defesa da Reforma Agrária
Atos, marchas e ocupações de INCRA se multiplicam de Norte ao Sul do Brasil, na semana em que se completam três décadas do assassinato de 21 trabalhadores Sem Terra no Pará
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Massacre de Eldorado do Carajás: sobrevivente tem bala no olho há 30 anos
Baleado no olho durante o massacre de Eldorado do Carajás, em 17 de abril de 1996, José Carlos Agarito Moreira foi assentado e viveu da roça por 20 anos, mas deixou a terra após o agravamento das sequelas. Hoje mora na cidade, faz hemodiálise e cobra do Estado o cumprimento de decisões judiciais
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- “O massacre não acabou. Ele continua na vida dessas pessoas”. Dezenas de sobreviventes seguem com sequelas graves.
- Dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra) indicam que o Pará registrou 1.003 assassinatos no campo entre 1980 e 2024, mais do que qualquer outro estado.
Conflitos no Campo 2025: CPT fará lançamento nacional do relatório no próximo dia 27 de abril
A violência sofrida pelos povos e comunidades da terra, das águas e das florestas se prolonga, mesmo em um ano marcado pela diminuição nos registros dos conflitos no campo. Salta aos olhos a duplicação no número dos assassinatos, que passou de 13 vítimas, em 2024, para 26, em 2025. Também houve aumento dos casos de trabalho escravo rural, bem como de trabalhadores e trabalhadoras resgatadas desta condição
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- Relatório deve afirma que o número dos assassinatos no campo passou de 13 vítimas, em 2024, para 26, em 2025. Também houve aumento dos casos de trabalho escravo rural.
Sem demarcações de terras indígenas entregues, Acampamento Terra Livre 2026 cobra respostas dos Três Poderes
Demarcação Já! A palavra de ordem marcou mais uma vez a maior mobilização indígena do país. A 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), realizada na última semana na capital federal, reuniu mais de 7 mil indígenas de 200 povos, de todas as regiões e biomas do Brasil e cobrou, sobretudo, a demarcação de terras indígenas (TIs) e a proteção dos territórios contra a exploração econômica predatória
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Quando a floresta cai, a cultura, a identidade e o modo de vida dos povos indígenas são ameaçados
A denúncia é direta e escancara uma realidade de décadas, como afirma o artesão Tapurumã Pataxó, de 32 anos, “os fazendeiros estão acabando não só com o nosso território, mas com o Brasil todo”. A fala não é exagero retórico — é a síntese de um processo sistemático de destruição territorial promovido por grileiros, madeireiros e pelo avanço do agronegócio sobre terras indígenas. Tapurumã participou do Acampamento Terra Livre, que se encerrou neste sábado (11), em Brasília (DF), para alertar que o cenário dos territórios indígenas tem sido de menos aves no céu. Com menos pássaros, a produção artesanal de cocares é impactada
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- Os impactos vão muito além da dimensão material. Trata-se de um crime continuado de apagamento histórico cultural desses povos.
Massacre de Eldorado do Carajás, 30 anos: a vida no assentamento de ‘brotos regados de sangue’
Na área dividida após a chacina de trabalhadores pela Polícia Militar do Pará, famílias cultivam a terra e a memória das vítimas; a impunidade dos mandantes atravessou o tempo num estado onde, nos últimos 45 anos, mais de mil pessoas foram assassinadas no campo
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- Dos policiais acusados, apenas os chefes da operação foram condenados: o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria de Oliveira. Os outros militares que participaram da matança acabaram absolvidos.
- As autoridades do topo da cadeia de comando na época, os que deram a ordem para matar, nem sequer foram denunciados: o governador do Pará, Almir Gabriel, o secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Fabiano Lopes, morreram impunes.
