A Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) de 2025 se iniciou com resistência e luta contra o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes, que tentou boicotar o evento ao cancelar o contrato que garantia o local onde a feira iria acontecer. Essa foi mais uma demonstração dos métodos da direita de combater a cultura e o pensamento crítico. Os organizadores da Flipei, junto a seus apoiadores, conseguiram garantir novos locais para a realização do evento, tendo como palco principal o Espaço Cultural Elza Soares, do MST.
A mesa final do primeiro dia de evento, chamada sob o título “Como a cultura e a literatura independente são capazes de mudar o mundo”, refletiu sobre o enfrentamento à extrema direita e ao neoliberalismo e também sobre o resgate de uma perspectiva revolucionária. Mediada por Marcos Morcego e Gaby Varella, a atividade se iniciou com a leitura de um poema autoral pela slamer Luiza Romão, versando sobre o papel de resistência e de luta que a arte e a cultura tem.
A mesa contou com a participação da vereadora Luana Alves, do PSOL, que apontou que a tentativa de Ricardo Nunes de cancelar a Flipei em cima da hora foi uma ação profundamente autoritária e que vem se tornando recorrente nesta prefeitura. Ela destacou que essa movimentação teve ligação com o lobby sionista, tendo em vista que a Flipei ergue a bandeira da Palestina e denuncia o genocídio levado a cabo por Israel.
Além disso, Luana defendeu o papel da cultura como um “grito de revolta” contra as injustiças e ressaltou que, para derrotar a extrema direita, é necessário a aposta em um programa anticapitalista e antissistema.
A mesa também contou com a participação do vereador Nabil Bonduki, do PT, que falou sobre a importância da Flipei como um espaço de difusão de arte e de debates sobre a atualidade, e do historiador Célio Turino, que defendeu em sua fala a necessidade de retomarmos o ideal de revolução contra o inconformismo que predomina entre os setores progressistas nos dias de hoje.
Em linhas gerais, a mesa consolidou o primeiro dia de atividades que irão acontecer ao longo da Flipei. A defesa da cultura e da literatura como meios de inserção do pensamento crítico na sociedade foi a tônica das falas, para além da reafirmação da urgência de derrotar o individualismo e o conservadorismo através do diálogo com a maioria da população e com a apresentação de uma perspectiva de ruptura com o sistema socioeconômico vigente. Vida longa à Flipei na cidade de São Paulo!