Em encontro híbrido na sede da FLCMF, no sábado 27, as duas fundações partidárias encerraram o ciclo de debates socioambientais e abriram à discussão uma plataforma que ancora a luta ecossocialista nas demandas das maiorias.

A Fundação Lauro Campos e Marielle Franco (FLCMF), do PSOL, e a Fundação Rede Sustentabilidade, da Rede, realizaram no último sábado (27) o encontro que encerrou o ciclo de debates socioambientais conduzido pelas duas instituições e apresentaram “Um Brasil para a Vida”, a plataforma de propostas da federação PSOL-Rede para uma estratégia de transição ecossocialista. Em formato híbrido – presencial na sede da FLCMF, em São Paulo, e transmitido online – a atividade encerrou um processo de construção coletiva entre as duas fundações e abriu o documento, ainda em versão para discussão, à contribuição de pré-candidatas e pré-candidatos.
Na abertura, a diretora-executiva da FLCMF, Mariana Riscali, descreveu “um processo coletivo” de elaboração entre as duas fundações e recuperou o caminho até a síntese: quatro encontros temáticos online sobre reforma agrária popular, demarcação e restauração dos territórios; mineração e transição energética; ecologia urbana; e estratégia ecossocialista, que alimentaram uma comissão de sistematização que reuniu as contribuições em uma plataforma comum. Na mesma direção, Bruna Paola, porta-voz nacional da Rede e integrante do conselho curador da fundação, saudou o processo de escuta e de construção coletiva entre as duas casas.

Coube a José Corrêa Leite, integrante dessa comissão, apresentar os eixos do texto. Ele situou o diagnóstico na crise civilizatória que articula crise social e colapso ambiental e na contradição entre “uma expansão capitalista ilimitada em um planeta finito” e a teia da vida. A Plataforma, segundo Correa, considera o agronegócio associado às finanças como a coluna dorsal da destruição socioambiental do país.
Pela Fundação Rede Sustentabilidade, Pedro Ivo destacou a sinergia entre as duas legendas e considerou a federação como uma convergência antes de tudo política, ademais de ideológica. “O mais importante é que a gente possa desdobrar essa plataforma para as nossas campanhas”, afirmou, retomando uma imagem que atravessou o ciclo, atribuída ao vereador Gabriel Biologia, de Ceará: é preciso pensar “como evitar o fim do mundo, mas também como chegar ao fim do mês”.

A segunda metade do encontro abriu a palavra às pré-candidaturas, e Antônia Cariongo, liderança quilombola e pré-candidata ao Senado pelo PSOL no Maranhão, destacou que, sem avançar na demarcação e na titulação dos territórios quilombolas e indígenas, não há como enfrentar a violência no campo e a execução de lideranças — uma urgência agravada, em seu estado, pelo avanço da monocultura da soja e pela pulverização aérea de agrotóxicos. “Primeiro, a gente tem que lutar pela terra”, resumiu, lembrando que é da terra que vêm a casa, a água e o alimento. A rodada seguiu com contribuições de outras pré-candidaturas e de militantes do PSOL e da Rede, que somaram propostas sobre transporte público e tarifa zero, reestatização da água, proteção aos defensores dos territórios e revisão da Lei Kandir.
Direto do Chile, onde participava de outra atividade, a presidenta nacional do PSOL, Paula Coradi, enviou sua saudação: lembrou que “estamos na mesma tempestade, mas não no mesmo barco” e que a desigualdade atravessa a agenda ambiental. Com o encerramento do ciclo, a comissão de sistematização vai agora finalizar o texto de “Um Brasil para a Vida”, incorporando as contribuições colhidas no encontro — entre elas o fecho que o documento ainda não traz — antes da divulgação e da chegada às candidaturas. “Em breve a gente vai dar um fechamento ao texto e fazer uma divulgação massiva, passar para os nossos pré-candidatos e pré-candidatas”, resumiu Mariana Riscali, que projeta a plataforma como ferramenta de campanha para fortalecer a intervenção da federação PSOL-Rede nas eleições de 2026.