Prefeitura de Nova York cria escritório para promover informação, conexão e organização dos que vivem do trabalho na cidade, com foco em aumentar a sindicalização, principalmente no setor privado, inclusive de imigrantes.

Em 7 de setembro, a Prefeitura de Nova York, por meio da Ordem Executiva nº 20, anunciou a criação do Escritório do Poder dos Trabalhadores. A medida foi anunciada justamente no Labor Day, o equivalente ao Dia do Trabalhador no Brasil. Em uma declaração forte, que denuncia a discrepância entre os CEOs das empresas, que chegam a ganhar mais de 600 vezes o salário de seus trabalhadores, a Prefeitura anunciou a criação do primeiro escritório do país com foco em promover informação, conexão e organização entre os trabalhadores da cidade de Nova York.

Historicamente, os sindicatos de Nova York possuem um número de filiados e um nível de mobilização mais altos do que a média nacional, aproximadamente o dobro em termos proporcionais. A cidade vem experimentando uma série de novidades na organização dos trabalhadores, como é o caso da recente expansão da representação sindical entre assalariados da Amazon e do setor de entregas. No entanto, existe uma disparidade entre a densidade sindical nos setores público e privado da cidade. Segundo um estudo realizado na City University of New York (CUNY), apenas 13,7% dos trabalhadores do setor privado são sindicalizados, enquanto, no setor público, essa proporção é seis vezes superior.

Em entrevista ao The New York Times, Julie Su, vice-prefeita responsável pela Justiça Econômica, declarou que a iniciativa não tem como foco a ampliação da sindicalização no setor público, embora não exclua essa possibilidade. O escritório deverá concentrar seus esforços nos setores mais vulneráveis e precarizados da classe trabalhadora, incluindo trabalhadores imigrantes em situação migratória irregular.

Não somente pelo pioneirismo, a iniciativa pode se tornar um forte trunfo de Mamdani nos próximos enfrentamentos com o establishment. Na última eleição para a Prefeitura de Nova York, grandes sindicatos, que tradicionalmente possuem grande influência sobre os resultados eleitorais, como algumas organizações dos trabalhadores da saúde e do setor hoteleiro, apoiaram a candidatura de Cuomo, ex-governador do estado de Nova York e da direita do Partido Democrata. Mesmo assim, a conexão do DSA com setores mais novos do sindicalismo, somada à desconexão entre as direções burocráticas dos grandes sindicatos e suas bases, permitiu que Mamdani conquistasse uma vitória importante e obtivesse maior reconhecimento entre os trabalhadores sindicalizados.

Além disso, ao mirar o reconhecimento e o fortalecimento dos trabalhadores imigrantes, a Prefeitura de Nova York acerta duplamente no diagnóstico: fortalece a organização sindical, utilizando da estrutura da prefeitura para incentivar a expansão da densidade sindical e uma experimentação de novos setores na luta organizada, enquanto apoia os imigrantes diante da ofensiva da polícia migratória de Donald Trump. Dois dos melhores caminhos para enfrentar a extrema direita nos Estados Unidos.